terça-feira, 19 de julho de 2016

Coluna publicada pelo jornal O PRATIANO, que também circula aqui em São Manuel. Em seguida uma crônica de autoria deste blogueiro, também publicada no mesmo jornal, do qual sou colaborador há pelo menos 20 anos.



EM DIA COM AS NOTÍCIAS

Gildo Sanches

 

PRESIDENTE DA CÂMARA

Apoiado pelo governo Temer, por parte da antiga oposição (PSDB, DEM e PPS) e da atual (PT e PCdoB), Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito na quarta-feira (13) presidente da Câmara, derrotando o centrão, ligado ao ex-presidente e deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). No segundo turno, Rodrigo Maia teve votação acima da esperada, com 285 votos, contra 170 de Rogério Rosso (PSD-DF), do centrão. Ao longo do dia, o Planalto atuou para enfraquecer a candidatura de Marcelo Castro, ex-ministro do governo Dilma, que teve só 70 votos e ficou de fora do segundo turno. Rodrigo já assumiu o cargo para mandato-tampão que será encerrado em 31 de janeiro do ano que vem. O discurso dele, ao assumir, foi de abertura ao diálogo.

 

SOBREVIDA

Embora sua derrota seja dada como certa, o deputado afastado Eduardo Cunha ganhou sobrevida de mais um dia na Comissão de Constituição e Justiça, que adiou para sexta-feira, com manobras de aliados, decisão sobre recurso do acusado contra o Conselho de Ética.

 

AMEAÇA TERRORISTA

O general Christophe Gomart, chefe da Direção de Informação Militar, um dos serviços secretos da França, disse à Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou atuação de órgãos de segurança em atentados naquele país que há risco real de terrorismo na Olimpíada. Segundo o general, o ataque seria cometido por um brasileiro em nome do Estado Islâmico e teria como alvo a delegação francesa.

 

HAJA PAZ

O atentado no Aeroporto de Araturk, em Istambul, na terça-feira 28, que matou ao menos 42 pessoas e feriu cerca de 240, foi realmente chocante. Contudo, não tirou o otimismo dos cariocas. A uma pesquisa do Instituto Gerp, 50% dos entrevistados descartaram a hipótese de atentado terrorista nas Olimpíadas – 38% acreditam. Sobre se os Jogos ajudarão a melhorar a imagem do Rio de Janeiro, 34% dos 400 entrevistados disseram sim, outros 38% “que não melhora e nem piora”. Já para 17%, as Olimpíadas elevarão o conceito da cidade, no Brasil e no exterior.

 

AMEAÇA DE ABANDONO

Policiais e bombeiros da Força Nacional, responsável pela segurança no interior e no entorno dos locais de competição, ameaçam não atuar nos Jogos Olímpicos. Eles reclamam das más condições dos alojamentos no Rio e de atraso nas diárias.

 

DESCARTADA

Os estados em melhor situação fiscal terão prioridade da União no aval a novos financiamentos, informa a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi. Em entrevista a MARTHA BECK e BÁRBARA NASCIMENTO (O Globo), ela descarta nova ajuda ao Rio de Janeiro.

 

ERROS ADMITIDOS

Após 69 dias na presidência interina da Câmara, Waldir Maranhão (PR-MA) encerrou sua gestão com a marca do constrangimento por não ter conseguido exercer a função que caiu em seu colo. Admitiu erros e pediu desculpas.

 

MADEIRA ILEGAL

Segundo o “Estadão”, estrutura financeira criminosa usa madeira ilegal para bancar pistolagem no Norte e Centro-Oeste do País. “Máfia verde” atua do desmatamento à venda de lotes. Na tabela da violência, que acompanha todo o processo, o preço da morte de uma pessoa equivale ao de 2 ou 3 m³ de ipê.

 

BNDEs REDUZ PARTICIPAÇÃO

A presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, disse que o banco adotará nova política de financiamento para projetos de infraestrutura a partir do leilão de linhas de transmissão de energia marcado para setembro. A ideia é reduzir a participação estatal e atrair capital privado. No governo da presidente afastada Dilma Rousseff, o BNDES participou com até 80% do financiamento em projetos concedidos ao setor privado. Segundo Maria Silvia, a mudança faz parte da revisão do modelo de concessões e privatizações pelo governo do interino Michel Temer. Para as próximas concessões, ela disse que é preciso melhorar o ambiente regulatório, a avaliação dos resultados de cada projeto e garantir “retorno adequado” ao concessionário.

 

POUCAS EMPRESAS

O ministro da Secretaria do Programa de Parceria e Investimento, Moreira Franco, afirmou que as últimas concessões trouxeram poucas empresas ao país, o que seria um indicativo de pouca atratividade. De acordo com Moreira Franco, o conceito de menor tarifa nas concessões pode ser abandonado em favor de um modelo de “preço justo” para remunerar o investimento.

 

NOVO LÍDER

A nova premiê britânica, Theresa May, assumiu e nomeou o ex-prefeito de Londres Boris Johnson para ser ministro das Relações Exteriores. Ele foi um dos líderes da campanha que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia.

 

GERDAU PERDE DISPUTA

A Gerdau perdeu disputa no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) e diz que vai à Justiça contra multas de R$ 4 bilhões. Depois da Operação Zelotes, que investiga compra de decisões no Carf, a Fazenda reverteu decisões contrárias ao Fisco, inclusive nos processos da Gerdau.

 

UNANIMIDADE

Foi por unanimidade que os seis juízes da Corte Interamericana de Direitos Humanos decidiram na Costa Rica que o órgão não opinará sobre o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Uma derrota para o secretário-geral, Luis Almagro, que forçava muito a barra por um pronunciamento. Os magistrados foram além, ao considerar que a situação de Michel Temer está em vias de ser resolvida, pelo Senado brasileiro.

 

PASSOS DE TARTARUGA

Daqui a pouco será um martírio recorrer à Justiça do Trabalho. O corte de 90% nas despesas de investimento e 24,9% nas de custeio, no orçamento de 2016, desse ramo do Judiciário, imposto pelo Legislativo, é constitucional decidiu o STF, na quarta-feira 29. Magistrados e advogados trabalhistas temem que faltarão recursos até para o pleno funcionamento do Processo Judicial Eletrônico, por meio do qual tudo ocorre na Justiça do Trabalho. Vai ser um tal de “sistema indisponível” depois de agosto…

 

NÃO MOSTRAM

Vários ministros de Michel Temer não tornam pública a sua agenda. A Lei de Conflito de Interesses exige transparência diária. Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia e Comunicação) e Leonardo Picciani (Esportes) se destacam entre os que mais descumprem a obrigação. Além do aspecto legal, os brasileiros têm o direito de saber o que faz no cargo uma autoridade do governo. Sem esquecer que o mistério dá margem a todo tipo de interpretações.

 

AVIAÇÃO

A chegada de delegações de 206 países e 100 chefes de estado ao Brasil, entre agosto e setembro, para as Olimpíadas e Paraolimpíadas, fez a Anac criar um mega estacionamento (hangaragem) de jatinhos a céu aberto nos aeroportos Santos Dumont e Galeão. Só no dia da abertura dos Jogos (5 de agosto) mil jatinhos são esperados no Rio de Janeiro. E durante o evento, em dez aeroportos de sete capitais, serão movimentados 4,7 milhões de volumes de bagagens.

 

CINEMA

Apesar da crise, o Brasil exibe um dado de primeiro mundo. De norte a sul do País, hoje, 97% das salas de cinema são digitais. Cada unidade custa em média US$ 1,5 milhão. O investimento se paga em aproximadamente quatro anos, segundo os executivos das grandes redes. Estima-se que 200 milhões de brasileiros irão cinema em 2016.
 
 
Crônica
Histórias dos Jogos Olímpicos
Gildo Sanches
            Vamos ter a realização dos Jogos Olímpicos aqui no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro. Será mais uma oportunidade para a humanidade se congraçar através do esporte, e abrir caminhos para novos recordes, por meio dos quais o ser humano se supera cada vez mais e mais.
            Os Jogos Olímpicos constituem-se numa competição esportiva que congrega países de todo o mundo, e que são realizados de quatro em quatro anos. No sentido grego original o termo olimpíada refere-se a uma medida de tempo usada para exprimir um período de quatro anos. Haveria aí a correlação entre o nome da competição e o período de sua realização. No entanto, não há acordo entre os historiadores quanto à verdadeira origem e finalidade exata dos jogos.
            Muitos acreditam que as primeiras cerimônias olímpicas tenham ocorrido em 1453 a.C., não tendo, porém , caráter de festivais esportivos, mas sim de cerimônias de luto. Seriam homenagens aos que morreram no decorrer da olimpíada (quatro anos) anterior.
            Mas a realidade e a lenda confundem-se na história da antiguidade grega. A origem do nome Jogos Olímpicos, segundo alguns escritores, refere-se à primeira sede daquelas competições: Olímpia. Nesse local existia um templo dedicado a Zeus - o Senhor do Olimpo a cujo filho, Hércules, algumas lendas atribuem o início dos jogos.
            No período áureo da civilização grega existiam quatro tipos de competições: as Píticas, as Ístmias, as Neméias e os Jogos Olímpicos. As Píticas começaram em 582 a.C., e de quatro em quatro anos eram realizadas na planície do Monte Parnaso, em honra do deus Apolo. Durante seis dias, havia competições musicais, provas de ginástica e corridas de bigas.           Os vencedores recebiam como prêmio uma coroa de louros.
            As Ístmias que teriam sido instituídas por Teseu em honra do deus Poseidon – eram celebradas a cada dois anos em Corinto e compreendiam provas atléticas, musicais, náuticas e também corridas de bigas. Já com relação às Neméias, os registros históricos citam que eram realizadas nos anos ímpares, no vale do rio Neméia, em honra de Zeus.
            Os Jogos Olímpicos – considerados a competição mais importante da época –  foram realizados com regularidade, a cada quatro anos, de 776 a.C. até 394 d.C. Segundo uma das versões, eles foram instituídos sob conselho do oráculo de Delfos, por Ifito, rei de Elide, para celebrar a paz assinada com Licurgo, rei de Esparta, em 776 a.C. No início, só podiam participar os gregos das vinte cidades helênicas. Posteriormente foram admitidos também os romanos e os bárbaros.
            A partir do século II a.C., com a conquista da Grécia pelos romanos, iniciou-se a decadência dos Jogos Olímpicos da Antiguidade. Uma das principais causas desse declínio foi a concepção que os romanos tinham do esporte. Ao contrário dos gregos, eles o viam como uma atividade que interessava mais ao espectador do que ao próprio atleta. Assim, qualquer nobre romano poderia tornar-se campeão, bastando que ele atemorizasse os adversários com seu prestígio.
            A desmoralização dos jogos chegou a tal ponto que, segundo a tradição, o imperador Nero, nos 211º Jogos Olímpicos, ano 68, teria sido o vencedor de uma corrida de carros puxados por dez cavalos. Nada demais, se não tivesse competido sozinho e tivesse parado antes da linha de chegada, porque os cavalos romperam as rédeas...
            Na atualidade, os Jogos Olímpicos constituem um grandioso espetáculo de luzes e cores e de disputas acirradas. E essa Olimpíada do Brasil promete ser a maior de todos os tempos. Então, vamos todos levantar cedo nos próximos dias para dar uma espiada na televisão. Vai valer a pena!