terça-feira, 20 de setembro de 2016

Coluna publicada pelo jornal O PRATIANO, que também circula aqui em São Manuel. Em seguida uma crônica de autoria deste blogueiro, também publicada no mesmo jornal, do qual sou colaborador há pelo mais de 20 anos.



Crônica

A MÁQUINA DE ESCREVER É COISA NOSSA

Gildo Sanches 


            Costumo escrever em uma máquina antiga, uma Olivetti Lexikon 80 que, pelos meus cálculos, já tem por volta de 40 anos. E mesmo que já tenha passado por um ou outro pequeno conserto, neste tempo em que está comigo, funciona maravilhosamente bem. Às vezes uso uma outra máquina, Remington portátil, que carrego para todo canto. Essa já tem quase 20 anos e também ainda escreve bem, embora alguns amigos considerem seus tipos muito pequenos. Mas eu acho que dá para ler com relativa facilidade o que ela imprime no papel. Deve ser por causa do costume.

            Evidente que hoje, na era dos computadores, funciona mais o teclado eletrônico, com uma telinha em frente, que nos dá a possibilidade de bulir com as palavras e deslocá-las de lá para cá, de cá para lá, aumentar seu tamanho, diminuí-las, enfim fazer delas gatos e sapatos. O Word for Windows nos faz verdadeiros mágicos das frases e dos textos. Mas, queiramos ou não, esse teclado também é descendente do que foi inventado para a máquina de escrever que, durante anos, entusiasmou o mundo, como mais uma maravilha da era moderna.

            Me lembro das dificuldades que tive quando comecei a aprender a escrever a máquina na escola do saudoso professor João Gallerani. Mas consegui. Acho que todo mundo da minha faixa etária e de muitas faixas anteriores e até posteriores, tamborilaram nos velhos teclados pretos das antigas máquinas da Escola de Datilografia  e Taquigrafia Remington de São Manuel,  que o professor nos oferecia para que aprendêssemos o que, na época, era a profissão do futuro. Ou, pelo menos, era considerada uma técnica indispensável para se trabalhar onde quer que fosse. Era preciso saber escrever a máquina e não tinha conversa.

            E acho que estavam corretos os que assim pensavam. Ainda hoje é preciso saber manusear o teclado, escrever a, s, d, f, g, de lá pra cá e daqui pra lá, para evitar constrangimento quando for preciso aprender a lidar com o teclado do computador. Aliás, os professores dos muitos cursos de informática que estão em atividade aqui em São Manuel, com certeza, sofrem ao ver seus alunos, pequenos ou grandes, a brigar com as teclas, preocupados em conhecer o Word, mas sem ter uma habilidade ainda que razoável para dedilhar o teclado.

            Pois essa preciosidade, a máquina de escrever, foi inventada por um brasileiro, embora o mesmo software, o Word for Windows que citei há pouco, insista em dizer, numa de suas dicas de abertura, que "em 1875 Remington começou a produzir máquinas de escrever, uma invenção de L. Sholes". Faço uma consulta num antigo livro e leio que o padre Francisco João de Azevedo, um brasileiro de João Pessoa, Paraíba, foi o primeiro que criou um objeto que permitia a escrita mecânica, e ao qual deu o nome de mecanógrafo. Seu invento foi exposto em novembro de 1861, existem registros disso, e a máquina dos americanos  surgiu muitos anos depois.

            A máquina de escrever, portanto, que é necessária ainda hoje, é coisa nossa, embora os americanos não queiram aceitar isso, assim como não aceitam que Santos Dumont tenha inventado o avião.

 

EM DIA COM AS NOTÍCIAS

Gildo Sanches

LULA DISCURSA E CHORA
Ex-presidente se diz perseguido pelos ‘meninos’ de Curitiba, chora três vezes, mas não explica as evidências de que foi beneficiado por empreiteira no caso do tríplex em Guarujá. Denunciado à Justiça no caso do tríplex em Guarujá e acusado de chefiar uma “propinocracia”, o ex-presidente Lula fez uma defesa política, na qual se disse perseguido pelos “meninos” da Lava-Jato, e conclamou a militância petista a sair às ruas. “Provem uma corrupção minha que irei a pé para ser preso”, disse, num pronunciamento em que chorou três vezes. Lula, porém, não rebateu as evidências de que foi beneficiado por empreiteiras.

 

LULA SE DEFENDE

Em um discurso de mais de uma hora, entrecortado por choro e cheio de comparações com figuras históricas como Jesus Cristo, Tiradentes e Getúlio Vargas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou procuradores da Lava Jato a apresentar provas de que ele é corrupto. “Eles têm que aprender que a única coisa de que tenho orgulho é que conquistei o direito de andar de cabeça erguida nesse país. Provem uma corrupção minha que irei a pé até a delegacia para ser preso.”Acompanhado por dezenas de aliados, ex-ministros, parlamentares, advogados e dirigentes petistas, Lula afirmou que a denúncia apresentada é mais um lance do “golpe tranquilo e pacífico” que começou com o impeachment de Dilma Rousseff.

 

SÓ JESUS CRISTO

“Tenho uma história pública conhecida. Acho que só ganha de mim aqui no Brasil Jesus Cristo. Disse Lula.” Nota aprovada pelo PT com ataques ao procurador Deltan Dallagnol trata representantes do Ministério Público Federal como “burocratas facciosos” que “buscam concluir o trabalho sujo encomendado pelas forças reacionárias”. Advogados de Lula prometem reclamar no Conselho Nacional do Ministério Público.

 

CONDENADO

O juiz Sérgio Moro condenou José Carlos Bumlai, amigo de Lula, a 9 anos e 10 meses de prisão por empréstimo fraudulento ao PT. A PF indiciou o governador de MG, Fernando Pimentel (PT), e Marcelo Odebrecht.

 

NO RIO DE JANEIRO

Com rejeição menor do que nas últimas eleições, Marcelo Crivella vem tentando descolar sua imagem da Igreja Universal. Para isso, tem aparecido ao lado de representantes de outras religiões, incluindo um pai de santo, e até de um grupo LGBT. O senador também se aproximou de personalidades da Zona Sul e incorporou nomes da esquerda à sua equipe.

 

REAÇÃO NATURAL

O procurador Deltan Dallagnol afirmou ser “natural que pessoas investigadas reajam”. “Quando essas pessoas são poderosas econômica e politicamente, as reações tomam vulto. Não nos surpreendemos”, disse ele.

 

PIMENTEL INDICIADO

A Polícia Federal indiciou o governador de MG, Fernando Pimentel (PT), e o empresário Marcelo Odebrecht por corrupção em esquema de liberação de financiamentos do BNDES para a empreiteira.

 

CONCLUSÕES

As conclusões do caso, investigado na Operação Acrônimo, serão enviadas à Procuradoria-Geral da República, que decidirá se oferece denúncia. Foram imputados a Pimentel crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A Odebrecht, corrupção ativa.  

 

PREVIDÊNCIA EM 2017

A reforma da Previdência que será enviada ao Congresso pelo governo de Michel Temer não será votada em plenário neste ano, disse à Folha o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Segundo ele, ainda que a proposta chegue ao Legislativo até o fim do mês, como promete o Planalto, a prioridade dos deputados será a aprovação da emenda à Constituição que limita os gastos federais — em tramitação há três meses.

 

VAIAS

As vaias que vem amarelando o sorriso de Michel Temer em suas aparições públicas vão aumentar.Entre outras razões, porque são mais ecumênicas e menos trabalhosas que os protestos de rua.Mesmo quando o presidente não se encontra, elas têm marcado presença em estádios, shows e eventos de distintas naturezas. Como se diz, a coisa “viralizou”. Muito já se está discutindo a respeito no Planalto. Afinal, o que fazer? Temer, no seu melhor estilo e talvez única alternativa, continuará exibindo a habitual cara de paisagem. No Ministério e no Congresso, os escudeiros palacianos oscilarão entre platitudes (Moreira Franco: “continuaremos pacificando o País”), menosprezo (Eliseu Padilha: “eram apenas 18 pessoas entre 18 mil”) e diversionismo (Henrique Meirelles: “não alteram a condução do ajuste econômico”). No corner oposto, os oposicionistas também cravam seus diagnósticos, enxergando nos apupos o inicio de uma rebelião nacional que derrubará o novo governo. Também sustentam, como Lindbergh Farias, que tais reações expressam o “inconformismo da população diante do golpe”.

 

LITÍGIOS

Com os tribunais cada vez mais abarrotados de processos, especialistas debaterão se é viável no Brasil criar um órgão com representantes de instituições privadas e públicas para eliminar conflitos judiciais, principalmente de disputas bancárias. Lá fora, o modelo é conhecido como “ombudsman”. Palco da reunião a partir da segunda-feira 12, só o STJ recebe 350 mil novas ações por ano. Tem ministro que se aposenta sem nunca ter limpado sua pauta de julgamentos.

 

FALTA DINHEIRO

As novas regras eleitorais trouxeram tantas dificuldades aos candidatos para arrecadar recursos que já são muitos os casos de produtoras de TV e marqueteiros que nada receberam até agora – ou com crescente volume de pagamentos atrasados. Aliás, o calote fez com que algumas empresas deixassem de fazer programas gravados aos comitês políticos dos clientes. O problema tende a se agravar até o começo de outubro, quando os brasileiros irão às urnas.

 

OUTROS RÉUS

A Sexta Turma do STJ está prestes a julgar os habeas corpus dos empresários Eduardo Freire Bezerra Leite e João Lyra, presos na Operação Turbulência da Polícia Federal. Quem acompanha as investigações sobre o crime de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 600 milhões em Pernambuco diz que outros empresários serão processados.

 

COISAS ANTIGAS

Além de políticos atuantes nas campanhas de Eduardo Campos em 2010 (governador) e 2014 (Presidência da República). Aliás, o falecido candidato teria se beneficiado de dinheiro desviado das obras super faturadas na refinaria Abreu e Lima, da Petrobras.

 

NOMEAÇÃO

A nomeação do subprocurador José Bonifácio Borges de Andrada para a vice-procuradoria-geral da República, na quinta-feira 8, está sendo interpretada por muitos como guinada de Rodrigo Janot para a direita. O escolhido foi procurador-geral do governo Aécio Neves em Minas Gerais e esteve à frente da AGU, na gestão FHC. Andrada sucede Ela Wiecko, exonerada após vazarem imagens dela num ato contra o impeachment, em Portugal. Do staff de Janot também saiu o ex-ministro da Justiça no governo petista de Dilma Rousseff, Eugênio Aragão.

 

DISPUTA

Há mais de uma década trabalhando com Michel Temer, Elsinho Mouco vem dando cada vez mais as cartas na área de comunicação do Planalto. Ao seu lado, também atua o marqueteiro Antônio Lavareda, dono de duas agências de propaganda e dois institutos de pesquisa. Talvez alguma de suas empresas venha ser escolhida para atender a conta da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, na concorrência que será aberta em breve.

 

ÁGUA

Sempre às turras com a Sabesp, três cidades da Grande São Paulo têm algo em comum: Guarulhos, Mauá e Santo André não pagam pela água tratada que recebem no atacado para distribuir no varejo. Uma solução é cortar o fornecimento, mas a população será prejudicada